Taxas do iFood, Rappi e Uber Eats em 2026: a comparativa real para restaurantes
Introdução
Se você vende delivery no Brasil, já sabe que a comissão é a linha mais dolorosa do seu DRE. A pergunta que aparece em toda auditoria que fazemos é a mesma: "estou pagando o que corresponde, ou estou bancando um custo que o restaurante da frente não paga?"
A resposta curta: depende do app, da cidade, do segmento, do volume e do tipo de parceria que você tem. A resposta longa é este artigo.
Aqui você vai encontrar a comparativa real entre iFood, Rappi e Uber Eats em 2026: quais faixas de comissão praticam no Brasil, o que cada nível inclui, o que não aparece à primeira vista (taxas ocultas, descontos compartilhados, custos de marketing dentro do app) e como reduzir o custo efetivo sem abandonar a plataforma.
Aviso importante antes de continuar: as comissões específicas são acordos comerciais privados entre o app e o restaurante. O que está neste artigo são faixas típicas observadas no mercado e declaradas publicamente. Seu contrato pode ter condições diferentes — e é exatamente isso que você precisa negociar.
O que se considera "comissão" num app de delivery?
Antes de comparar números, vamos alinhar vocabulário. Em um app de delivery há pelo menos quatro custos que frequentemente se confundem sob a palavra "comissão":
Comissão por pedido (take rate): o percentual que o app fica de cada ticket. É o mais conhecido.
Taxa fixa por pedido: um valor em reais que o app adiciona além do percentual, especialmente em pedidos pequenos.
Custos de marketing no app: campanhas de visibilidade pagas, posições de destaque, banners. Opcionais, mas quase obrigatórios para crescer.
Descontos compartilhados: quando o app oferece "2x1" ou "frete grátis", parte quem paga é o restaurante. Nem sempre fica claro no extrato.
Quando alguém diz "o iFood me cobra 27%", muitas vezes esse número inclui apenas o take rate e deixa de fora os outros três. O custo efetivo real por pedido costuma ser entre 4 e 8 pontos percentuais mais alto do que o take rate nominal.
Essa é a primeira otimização: medir o custo efetivo total, não a comissão nominal.
iFood: faixas de comissão típicas em 2026
O iFood é a plataforma dominante no Brasil, com mais de 60% de participação de mercado no segmento de delivery de alimentos. Opera em cidades de todos os portes, de capitais a municípios menores.
Faixas típicas observadas na categoria restaurantes (2026):
O que cada modelo inclui:
Entrega pelo iFood: comissão mais alta, mas você não se preocupa com motoboys. O iFood gerencia toda a logística.
Entrega própria: comissão menor, mas você precisa ter entregadores próprios. Margem por pedido melhora, complexidade operacional aumenta.
Retirada: taxa mais baixa, funciona bem em restaurantes com fluxo de público no local.
O que muitos restaurantes não contabilizam no iFood:
Benefícios iFood: parte dos descontos do programa de fidelidade é paga pelo restaurante.
Boost e posições patrocinadas: aparecer em destaque na listagem tem custo adicional.
Promoções cofinanciadas: nas campanhas do app, o restaurante geralmente divide o descuento com a plataforma.
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Rappi: faixas de comissão típicas em 2026
O Rappi opera no Brasil, mas com participação de mercado menor do que em outros países da América Latina, como Colômbia, México e Argentina. No Brasil, é uma alternativa complementar ao iFood para diversificação de canal.
Faixas típicas observadas na categoria restaurantes (2026):
O que muitos restaurantes não contabilizam no Rappi:
Cupons Rappi Cash: parte dos cupons é custeada pelo restaurante.
Taxa de serviço em pedidos menores: em alguns casos há cobrança fixa além do percentual.
Custos de campanhas no app: visibilidade patrocinada é separada da comissão.
Uber Eats: faixas de comissão típicas em 2026
O Uber Eats tem presença relevante no Brasil, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e capitais do Nordeste. Estrutura seus planos por tier (nível de parceria).
Faixas típicas observadas na categoria restaurantes (2026):
Estrutura por tiers do Uber Eats:
O Uber Eats é mais transparente do que as outras duas em relação à estrutura por tiers. Em geral:
Lite: take rate mais baixo, sem extras, sem destaque.
Plus: take rate médio, marketing no app cofinanciado, posicionamento em algumas listagens.
Premium: take rate mais alto, máxima visibilidade, suporte prioritário, ferramentas adicionais (Uber Eats Manager com dados mais detalhados).
O que muitos restaurantes não contabilizam no Uber Eats:
Uber One: quando um usuário tem Uber One e pede no seu restaurante, parte do desconto é custo compartilhado.
Custos de campanhas dentro do Uber Eats Manager: visibilidade por palavra-chave, descontos no app.
Diferença entre retirada e entrega: a retirada costuma ter take rate mais baixo, vale a pena habilitar se você tem fluxo de clientes próximos.
Tabela comparativa rápida 2026 — iFood vs Rappi vs Uber Eats
Tomando como referência um ticket médio de R$ 60 e uma operação de restaurante tradicional sem marketing no app, o custo efetivo estimado fica assim:
*Custo efetivo = take rate + taxas fixas + custos compartilhados típicos (campanhas e descontos). Não substitui uma análise com o seu extrato real.
O que importa na tabela não é qual tem o número menor — as faixas se sobrepõem. O importante é que as diferenças dentro do mesmo app (nível vs. nível, com ou sem campanhas) costumam ser maiores do que as diferenças entre apps. Por isso otimizar o acordo atual rende mais do que trocar de plataforma.
Vale a pena operar nas três plataformas ou concentrar em uma?
Decisão que aparece em toda auditoria. A resposta curta: exceto em casos muito específicos, vale estar em pelo menos duas.
Vantagens de operar nas três:
Diversificação: se uma sobe comissão, derruba sua visibilidade ou cai o sistema, você não fica sem canal.
Captura de clientes que só usam um app: muitos consumidores são fiéis a uma plataforma. Se você não está lá, não existe para esse segmento.
Negociação: ter volume em outro app é a melhor alavanca para pedir melhor nível em qualquer uma.
Quando concentrar em uma só:
Sua margem é tão apertada que não suporta operar mais de um canal.
Seu produto tem tão pouco mercado local que só um app distribui na sua área.
Você está em uma cidade onde um único app tem 80%+ do share real.
Recomendação prática: se você fatura mais de R$ 30 mil por mês em delivery, estar em pelo menos dois apps com maior share na sua cidade quase sempre compensa o custo operacional extra.
Como reduzir seu custo efetivo de comissão (sem brigar com o app)
Você não vai baixar a comissão nominal com uma ligação, mas pode baixar o custo efetivo. Cinco alavancas que funcionam:
1. Audite seu extrato mês a mês
O primeiro passo é saber o que você realmente paga. Comparar take rate nominal (o que diz o contrato) versus custo efetivo (o que aparece descontado no extrato) costuma revelar entre 2 e 5 pontos percentuais de diferença que ninguém olha.
2. Suba seu ticket médio
A comissão é percentual, mas algumas taxas são fixas. Quanto maior o ticket médio, mais você dilui as taxas fixas. Táticas concretas: combos com anchor pricing, upsell de bebida e sobremesa, pedido mínimo em bairros distantes.
3. Renegocie quando subir de nível
Os apps revisam níveis a cada 3 a 6 meses segundo volume e métricas operacionais (nota, tempos, cancelamentos). Se você subiu de nível ou está próximo, peça explicitamente a revisão da comissão. Eles não vão oferecer por conta própria.
4. Use marketing no app com ROI medido
Pagar por destaque só faz sentido se você medir o incremental real. Regra simples: se por cada R$ 1 de campanha entrar menos de R$ 3 de vendas incrementais com sua margem atual, não vale.
5. Otimize o cross-pricing
Subir entre 8% e 12% o preço no delivery em relação ao salão compensa parte da comissão sem tirar você da competição. Se sua concorrência direta no app não sobe preços, cuidado; se todos sobem, você também pode.
Erros comuns ao avaliar comissões
Comparar apenas o take rate nominal. É como comparar carros só pelo preço de tabela, sem IPVA, seguro e manutenção.
Trocar de app por 2 pontos de diferença. O custo de sair de um app costuma ser maior do que esses 2 pontos durante vários meses (queda de visibilidade, ranking zerado, base de clientes que não migra).
Não questionar campanhas no app que "já estavam ativas". Muitos restaurantes pagam destaque que nunca mediram se funciona.
Não ler o contrato. Sim, é longo. Mas as taxas fixas, as penalidades por cancelamento e os custos de programas de assinatura estão lá.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Quanto cobra o iFood de comissão dos restaurantes em 2026?
A comissão típica do iFood para restaurantes varia entre 12% e 30% dependendo da modalidade (entrega própria do iFood, entrega própria do restaurante ou retirada). O custo efetivo total — incluindo taxas e descontos compartilhados — pode chegar a 30-35% nos planos com entrega gerenciada pelo iFood.
Quanto cobra o Rappi de comissão no Brasil em 2026?
O Rappi pratica take rates típicos entre 20% e 28% para restaurantes, com variação por cidade e tipo de parceria. O custo efetivo com taxas e campanhas ronda entre 23% e 32%.
Quanto cobra o Uber Eats de comissão em 2026?
O Uber Eats opera com modelo de tiers (Lite, Plus, Premium) com take rates entre 18% e 30% segundo o nível escolhido. O custo efetivo total estimado ronda entre 22% e 33% dependendo dos serviços contratados.
Qual dos três apps cobra menos comissão?
Não há um vencedor único: as faixas se sobrepõem e dependem mais do nível negociado e da modalidade do que do app. A diferença mais grande está entre nível baixo e nível alto dentro da mesma plataforma, não entre plataformas diferentes.
Vale a pena trocar de app para pagar menos comissão?
Quase nunca por si só. Trocar de app implica perder visibilidade acumulada, ranking, avaliações e clientes recorrentes. Exceto diferença muito grande (mais de 5-7 pontos efetivos) e mercado onde o novo app tenha share real, vale renegociar o atual antes de migrar.
Como se calcula o "custo efetivo" de uma comissão?
Custo efetivo = (take rate × vendas) + taxas fixas + custos de campanhas no app + descontos compartilhados, tudo dividido pelas vendas brutas. Se seu extrato não separa esses itens, você precisa reconstruí-los manualmente ou com uma auditoria.
Conclusão
As taxas do iFood, Rappi e Uber Eats em 2026 se movem em faixas parecidas. O que separa o restaurante que ganha dinheiro do que perde não é o app que escolheu, é como executa dentro dele: nível negociado, cross-pricing, ticket médio, marketing no app medido e disciplina de auditoria mensal.
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